Olá!
Aqui quem fala é a Paula e deixo com vocês a nossa Prima Nota, contando um pouco sobre os começos da Acervo, quando ainda nem levava este nome. Espero que gostem e fiquem atentos aos próximos posts, pois traremos muito conteúdo sobre este universo apaixonante: a nossa casa.
A Origem da Acervo I.: Casas que Contam Histórias
Desde que comecei a trabalhar com design de interiores, havia em mim um desejo de criar uma marca própria. No processo de projetar casas reais, para famílias reais, percebi que muitas das ideias que surgiam naturalmente não encontravam eco nas lojas convencionais: detalhes específicos em almofadas, pequenos móveis que fugiam do óbvio, cúpulas de abajur com personalidade e, principalmente, peças que fossem normais, mas bem feitas e com proporção.
Numa época em que o design parece oscilar entre o minimalismo impessoal e o “diferentão” que não conversa com a vida real, eu sentia falta do meio-termo: objetos simples, bons, proporcionais e acolhedores. Coisas que não gritassem, mas que sussurrassem histórias.
E assim, antes mesmo de ter um nome, a Acervo começou a nascer.
A casa como construção de memória
Sempre acreditei que as casas mais interessantes são aquelas formadas ao longo do tempo. Elas carregam camadas, histórias, lembranças e escolhas — não são montadas impulsivamente, nem seguem fórmulas prontas. São casas que conversam com quem vive dentro delas.
O nome Acervo surgiu dessa convicção: todo lar deveria ser construído como um acervo afetivo, onde cada peça participa de uma narrativa maior. Não importa se são objetos novos, herdados ou garimpados — importa que façam sentido para aquela família.
Minha própria memória é povoada pela casa da minha avó: o cheiro do café com leite adoçado, as toalhinhas bordadas, a cristaleira que parecia um tesouro. E também aquelas casas curiosas da infância, cheias de objetos intrigantes que nos convidavam a prestar atenção.
Essas experiências me mostraram que uma casa boa não precisa ser luxuosa — ela precisa ser viva.
É isso que queremos resgatar.
O início de tudo: um bazar, amigas e algumas almofadas
Curiosamente, o Acervo começou num encontro despretensioso entre amigas, num bazar. Ali, a Maria Clara e eu levamos nossas primeiras peças: almofadas. Elas podem não ser protagonistas, mas têm um papel fundamental na atmosfera de uma casa — dão abraço, volume, profundidade, textura.
Logo vieram as cúpulas de abajur, que sempre foram uma paixão minha. No Brasil, temos muita iluminação… mas faltava charme. Faltava luz boa. Faltava alma. E foi assim que percebemos que aquele pequeno movimento casual tinha força para se transformar em algo maior.
A Coleção Prima: o primeiro capítulo
A Coleção Prima , como o próprio nome sugere, foi nossa primeira coleção sob o nome Acervo I. Partimos de uma inspiração mediterrânea: cores contrastantes, mas fechadas; aquela elegância profunda e despretensiosa que encontramos na Itália, na Espanha, nas cidades banhadas de sol.
Queríamos cor, aconchego e diversão, mas sem excesso. Queríamos peso e leveza ao mesmo tempo.
Por isso escolhemos:
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Jacquards com textura e história
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Veludos que trazem importância e profundidade
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Tecidos rústicos, como o buclê, próximos da tapeçaria artesanal
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Pequenos móveis versáteis e soltos, capazes de mudar a casa sem grandes obras
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Objetos de mesa, porque acreditamos que uma casa sem mesa posta é uma casa sem vida
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Iluminação como eixo — o protagonista silencioso da atmosfera
Fizemos questão de apresentar cada item explicando sua origem, seu tecido, seu porquê. Nosso site não seria apenas uma vitrine, mas um espaço formativo: acreditamos que todos podem (e devem) entender o que estão colocando dentro de casa.
A força dos nossos fornecedores
O nascimento da primeira coleção foi também uma descoberta de talentos. Parte dos fornecedores já caminhava comigo no escritório, outros encontramos na jornada. Conversamos com artesãos, visitamos ateliês, entendemos processos e limitações.
E encontramos pessoas que trabalham duro, com dignidade e paixão, para entregar peças cheias de significado. Muitos dos nossos produtos tinham pequenas variações, especialmente os pratos artesanais, onde nenhum é igual ao outro. E é exatamente isso que lhes dá alma.
A coleção só existe porque muitas mãos generosas acreditaram nela junto conosco.
Por que trabalhamos em campanhas, e não em loja aberta
Optamos por um modelo de campanhas temporárias, não por escassez, mas por coerência com nossa proposta. Criar um acervo exige cuidado, tempo, reflexão. Não acreditamos em quantidade infinita, nem em pressa.
As campanhas nos permitem:
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montar coleções coerentes, completas e com fio condutor
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produzir com atenção
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mostrar o processo criativo ao longo de semanas
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permitir que o cliente acompanhe, pense, imagine sua casa
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encerrar aquele capítulo e começar o próximo
É slow living na prática: nada de compras impulsivas. Queremos escolhas conscientes, que façam sentido dentro de uma história maior.
O acervo se constrói, não se acumula.
E para onde vamos agora?
A campanha da Coleção Prima se encerrou, mas o trabalho continua. Estamos caminhando para a próxima coleção e, como parte natural desse processo, nasce aqui o Notas Acervo.
Vivemos num mundo rápido e efêmero. Ler um texto com calma tornou-se quase um ato de resistência. Mas queremos deixar registrado, aquilo que pensamos sobre casa, vida doméstica, cultura, referências, bibliografia, processos criativos.
Queremos que você acompanhe tudo isso de perto.
Queremos que você sinta que faz parte da próxima coleção antes mesmo dela existir.
Obrigada a todos que nos acompanharam desde o início. Este é apenas o primeiro capítulo do nosso Acervo.
Com carinho,
Paula Sá
